“ Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!”

Luís Vaz De Camões, sonetos
(via thispointlessrose)

thispointlessrose:

Têm sido tempos difíceis! 
A ansiedade ainda vive em mim. Pensei que passado tanto tempo ela já teria ido embora, ou apenas ficado mais silenciosa. Mas não. 
Cada dia é um grito diferente, uma lágrima nova, uma questão atrás de outra questão. De facto, não são sentimentos novos, mas a diferença é que eu não sei mesmo como os encarar. Não estou a saber lidar com o facto de que nada na minha vida neste momento é certo. Tenho perdido um pouco de tudo aos poucos, e o meu maior medo é voltar a perder-me. Contruí uma barreira gigante à minha volta, e pouco a pouco estou a destruir tudo aquilo que me habilitei a lutar contra. Não o vejo de maneira negativa, tem sido ótimo. Mas a chuva de tijolos é tanta e tão impulsiva que acho que se está tudo a criar de novo. 
Vejo-me novamente sozinha, sem ninguém em quem acreditar. E é tão injusto este sentimento, eu estou a ser tão injusta, eu sei. Tenho pessoas que possivelmente preocupam-se comigo, até mais do que eu mesma. Mas não consigo, não consigo ver isso! Tudo o que eu sinto é um enorme aperto no peito, uma vontade imensa de chorar, e um sentimento de culpa. Culpa por ter nascido, culpa por não estar a fazer uso da minha vida, culpa por não ser útil para nada nem ninguém. 
Eu só queria que tudo isto desaparecesse. Eu preciso disso, neste momento, eu não estou a aguentar mais.